é assim que se faz.
1.30.2010
1.29.2010
1.28.2010

disseram-me, um dia, olha melhor para o teu reflexo.
olha, carolina, olha para ti, como estás assim, mesmo sem estar, num dia mau, onde tudo parece demasido colorido para te fazer tão feliz quanto isso que te rodeia. olha, como sorris no teu choro interno e continuo, nessa alegria triste da qual só consegues mostrar, feliz ou infelizmente, a parte da alegria.
olha-te aí, bem nos olhos. tira esses óculos, não vires as costas a ti própria: 'dá a ti mesma uma oportunidade.'
o mundo não assim tão cruel quanto faz parecer, acredita. há mais gente para além de ti, não sejas egoísta ao ponto de só te querer para ti.
olha-te nos olhos, que grande que estás, carolina. partilha o que tens que partilhar, este é o momento.
este é o momento.
1.27.2010
carreguei-te comigo o tempo que foi necessário para te tornares perfeito. carreguei-te dentro de mim, com muito apreço por ti. quando nasceste, trouxeste contigo a minha felicidade. e de pensar que nasceste de mim. como te amo, meu amor. como eu te quero sempre ao pé de mim, nos meus braços. como eu gosto de te ver dormir e, até quando choras de noite, me esboças um sorriso nesta minha cara desgrenhada de sono. não te podiam ter levado como levaram. não tinham esse direito de me arrancar a felicidade que brotara de mim, há tão pouco tempo. não. eu não podia crer. a dor de te perder, a dor perder quem eu mais amava. uma morte que me causaram. uma morte pessoal e intransmissivil. ninguem, jamais, sofrerá o que me fizeram. ninguém, jamais, saberá o que ainda me dói, passado tanto tempo. hoje, farias 10 anos, meu amor. e ainda ninguem te devolveu. levaram-te, a minha melhor coisa, e não te trouxeram de volta. foste, mas não vieste. a dor, essa desgraçada, veio. veio e não foi.
parabéns, meu amor.
amar-te-ei para sempre. sempre te carregarei comigo, sempre farás peso nos meus braços, como menino que te levaram, ainda em tão novo tempo. para sempre te terei cá dentro, enquanto eu preencher o meu corpo e mesmo depois disso, quando já não for o que sou hoje, quando for, quem sabe, uma estrela do céu, permanecerás em mim.serás a minha luz.
1.26.2010
pus as mãos ao chão na esperança que a água nao escapasse dali. na esperança que tu não fosses embora, quando me visses ali, de mãos no chão do mundo que para nós contruímos. o que é certo é que viraste as costas. foste embora, passo a passo. mas eu, incrédula, pensando ainda que aquilo era minha ilusão, mantive-me ali, assim, a olhar para ti a afastares-te cada vez mais. os teus passos, dantes estabilizadores, puseram, assim, muito do que me rodeava por terra. puseram fim ao mundo que com a nossa força construímos. mas aquele pedaço de chão, outrora nosso, ficava cada vez mais meu. apenas meu. e eu continuava a olhar para ti, confiante a cada passo teu. e, quando ias já lá no fundo, quando quase já não te conseguia ver, eu abri os olhos. ainda ali estavas. e eu estava de pé diante de ti. tive que ouvir tudo de novo. tudo o que me disseras antes, na minha imaginação, voltaste a dizer, aqui, mesmo assim, quase de ânimo leve.
da mesma maneira pus as mãos no chão. da mesma maneira agistaste tudo com cada passo teu. da mesma maneira te vi a afastares-te. e quando ias já lá ao fundo, quando eu quase não te via, quando estavas tão pequeno na tua tamanha grandeza, tão pequeno quanto uma da pedrinhas que já magoava as minhas mãos cansadas, eu levantei-me. e não parava de me levantar. eu levantei-me decidida. virei-me para o lado que te via caminhar e, antes de dar o primeiro passo, olhei mais uma vez em frente. tu já não ias sozinho. já tinhas alguém a acompanhar-te. alguem igualmente pequeno na sua grandeza.
e pensei.
deixar-te-ei ir. em paz.
olhaste para trás pela primeira vez e eu estendi-te o braço em tom de agradecimento enquanto as lágrimas me escorriam, seguidas, umas a trás das outras. o mesmo gesto fizeste, não sei se a chorar ou não, mas retribuiste. observei-te, mais um pouco. mais uma deixaste para trás. mais uma vez continuaste, sozinho, seguro de quem eras, seguro do que eras. rodei nos calcanhares.
agora é a minha vez.
1.24.2010
ainda trago entranhado em mim o cheiro que me deixaste naquele dia em que voltaste para voltar a sair, depois de tudo. chegaste, mas aquela já não era a tua casa, eu já não era eu, tua, como fui, antes de teres saído pela última vez. naquele dia em que voltaste para, depois, não voltares mais, já não esperava ver-te à porta de casa. e, por não te esperar, abracei-te com força. guardava a esperança que não fosses mais soltar-te desse abraço.
e, depois de farto, voltaste a ir. saíste pela porta que te vi sair já vezes demais.
desta vez, (não) foi de vez.
amámo-nos mais uma vez.
amámo-nos muito, uma e outra vez.e, depois de farto, voltaste a ir. saíste pela porta que te vi sair já vezes demais.
desta vez, (não) foi de vez.
1.23.2010
se eu soubesse que o mundo acabava, logo à noite, eu mexia-me. provavelmente não seria para o lado certo, mas isso, já é habitual, para mim.
não pediria desculpa pelo que os outros fizeram, não é da minha responsabilidade. não perdoria - não valeria a pena, afinal, o mundo acabaria pouco depois.
enfim, se o mundo acabasse, logo à noite, não sei que faria do resto do meu dia.
não só eu, mas todo o mundo.
é-nos dificil lidar com o não ser.
quem souber o que faria, é favor dizer.
1.21.2010
1.20.2010
1.19.2010
gostava de ter histórias para contar, gostava de conseguir partilhar com os outros aquilo que se passa aqui dentro. gostava de escrever um livro e de tocar nas pessoas com as minhas palavras. gostava de saber fazer as coisas bem - não todas, mas só algumas, as que me importam mesmo mesmo. gostava de ser reconhecida por quem me rodeia. porque eu posso não ser a melhor pessoa que existe, mas eu tento ser melhor, a cada dia que passa. gostava que os meus pais dessem valor àquilo que eu faço e que não fossem os outros os únicos a ter talento. os filhos de todos os outros. gostava de mudar mas ficar na mesma para quem me é próximo. gostava que não me julgassem antes de me conhecerem. gostava que se orgulhassem de mim apenas pelo que sou. gostava que não estivessem constantemente a criticar-me e que o meu trabalho realmente vale-se de alguma coisa. gostava de saber tirar fotografias. gostava de saber ser artista. gostava de me sentir integrada. gostava de gostar de alguém. gostava de conseguir não fugir. gostava de conseguir destinguir o que me faz bem e o que me faz mal a curto e a longo praso. gostava de convencer. gostava de conseguir deixar-me levar com a corrente do mar.
gostava de tanta coisa mais.
gostava de ser os olhos e o mar.
os meus olhos e o mar.
gostava de tanta coisa mais.
gostava de ser os olhos e o mar.
os meus olhos e o mar.
(os olhos e o mar - manel, és um génio.)
1.17.2010
1.16.2010
porque me dá revolta a maneira como me dizes as coisas. o tom em que me falas. dizes-me que sou fraca, que pensavas que era diferente. se soubesses como me dói ouvir-te isso. se soubesses como me magoas quando falas como falas das coisas que não sabes. como me custa não responder e como me custa que dês o que dizes por certo. porque tu não sabes. sempre pudeste fazer o que achavas correcto. somos diferentes. e não é por isso que deves falar como falas sem sequer te aperceberes que és a causa do meu mal-estar nos momentos em que falamos à cerca do que falamos. a tua liberdade de sempre não deve servir para me julgares assim, dessa forma.
e, depois, não é nada contigo. nunca é nada contigo. se me rio é porque me rio. se não me rio é porque não me rio. por favor, da proxima vez vê-me como um ser humano que sou. como a criança mole que sou.
e, depois, não é nada contigo. nunca é nada contigo. se me rio é porque me rio. se não me rio é porque não me rio. por favor, da proxima vez vê-me como um ser humano que sou. como a criança mole que sou.
1.12.2010
1.10.2010
1.07.2010
1.03.2010
1.02.2010
1.01.2010
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