1.26.2010


pus as mãos ao chão na esperança que a água nao escapasse dali. na esperança que tu não fosses embora, quando me visses ali, de mãos no chão do mundo que para nós contruímos. o que é certo é que viraste as costas. foste embora, passo a passo. mas eu, incrédula, pensando ainda que aquilo era minha ilusão, mantive-me ali, assim, a olhar para ti a afastares-te cada vez mais. os teus passos, dantes estabilizadores, puseram, assim, muito do que me rodeava por terra. puseram fim ao mundo que com a nossa força construímos. mas aquele pedaço de chão, outrora nosso, ficava cada vez mais meu. apenas meu. e eu continuava a olhar para ti, confiante a cada passo teu. e, quando ias já lá no fundo, quando quase já não te conseguia ver, eu abri os olhos. ainda ali estavas. e eu estava de pé diante de ti. tive que ouvir tudo de novo. tudo o que me disseras antes, na minha imaginação, voltaste a dizer, aqui, mesmo assim, quase de ânimo leve.
da mesma maneira pus as mãos no chão. da mesma maneira agistaste tudo com cada passo teu. da mesma maneira te vi a afastares-te. e quando ias já lá ao fundo, quando eu quase não te via, quando estavas tão pequeno na tua tamanha grandeza, tão pequeno quanto uma da pedrinhas que já magoava as minhas mãos cansadas, eu levantei-me. e não parava de me levantar. eu levantei-me decidida. virei-me para o lado que te via caminhar e, antes de dar o primeiro passo, olhei mais uma vez em frente. tu já não ias sozinho. já tinhas alguém a acompanhar-te. alguem igualmente pequeno na sua grandeza.
e pensei.
deixar-te-ei ir. em paz.
olhaste para trás pela primeira vez e eu estendi-te o braço em tom de agradecimento enquanto as lágrimas me escorriam, seguidas, umas a trás das outras. o mesmo gesto fizeste, não sei se a chorar ou não, mas retribuiste. observei-te, mais um pouco. mais uma deixaste para trás. mais uma vez continuaste, sozinho, seguro de quem eras, seguro do que eras. rodei nos calcanhares.

agora é a minha vez.

3 comentários:

  1. e vais encontrar com quem caminhar também. mais: garanto-te, que se ele era uma pessoa, estava, pelo menos por dentro, a chorar também.

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  2. Um dia vais te aperceber que não saiu, e este espaço não ficou apenas teu. Muito antes, fugiu, e este espaço ficou especialmente teu. Minha amiga, o mundo que nós construímos, de mãos dadas achamos nós, muitas das vezes serão as nossas próprias mãos dadas uma à outra. E nem vejo mal nisso, porque este recanto que tu construíste, valer-me-á mil sorrisos se um dia quiseres fazer-me uma visita guiada. Acho que já está na hora de não achares que te abandonam, reserva então a esses, se assim o achas, um pequeno mural em ode a eles, e deixa finalmente todos aqueloutros teus - amigos que construiste sem saberes - viverem contigo no teu mundo, enquanto que os do mural, serão só obras primas à tua luz - e teu feito, é apologia merecida de admiração.
    Dá uma oportunidade a ti mesma, não aos outros de te darem uma oportunidade a ti mesma.

    Um beijo :)

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