11.30.2009

H H

hoje senti-me tão bem, logo pela manhã, quando olhei para ti e percebi que era o único sitio onde eu podia estar. 'como te amo' disse-te. e essas palavras pareciam não ser suficientes para te dizer como eu te amava realmente, os meus actos, por muito profundos que fossem não davam te mostrar que tu eras realmente a única pessoa que eu queria ao meu lado. depois disso beijei-te e saí, já ia atrasado. desci as escadas do nosso alpendre e, quando cheguei à rua, olhei para trás.
a nossa casa é tão linda, meu amor.
pois já não sei que voltas dei pela cidade mas, a meio da manhã, quando ia telefonar a avisar que ia almoçar, eu vi.
eu vi.
e escusavas de negar porque eu tinha visto com os meus olhos. deu me uma dor no coração, pensei que ia morrer. eu vi-te com alguem, não sei quem, mas eu vi-te. eu nem tinha palavras para aquilo. eu pensava que me amavas. começou a crescer-me uma nuvem de pensamentos confusos e contraditórios por cima da minha cabeça. só tive uma reacção: sair dali. corri a outro lugar, o mais longe que consegui, deixando tudo para trás. já nem te liguei. e, depois, à hora de almoço, volto a casa, cheira bem. mas tu ainda tens o descaramento de vir ter comigo, sorridente. pois, sei lá eu à quanto tempo é que aquilo dura! ainda esperavas um beijo meu.
foi aí que eu disse: 'não és mulher para mim, eu mereço bem melhor, não?' não respondes-te porque eu não dei tempo. ' foi bom enquanto durou mas agora chega, porque não estou mais para isto, tu não prestas mesmo.'
comecei a ver as lágrimas a descer-te pela cara, as minha também já travavam uma luta bem grande, não podia dar parte fraca. subi as escadas antes mesmo de piscares os olhos. abri gavetas, portas, e sentia, a cada porta e gaveta que abria, que era uma tesourada que dava na nossa ligação. pus tudo o que era nosso numa mala e tudo passou a ser meu unicamente.
o que eu levei é meu, o que ficou é teu.
quando desci continuavas no mesmo sitio, parada, como se eu nem sequer tivesse de lá saído. cheguei a pensar que estavas a gozar comigo. comecei a falar novamente e a tua falta de reacção enerveva-me. berrei a ver se me ouvias, mas nem assim notei mudança.
passei por ti rapidamente, não queria prolongar o sofrimento, arrastei a minha mala com as nossas, minhas coisas pelo nosso alpendre, pelas nossas escadas. parei para fazer uma festa ao cão do vizinho que devia ter fugido mais uma vez. nem sequer tive coragem para olhar para trás.
nunca mais olhei para trás.

11.29.2009

H M

sais-te pela porta da frente, como terias saído até pela janela.
depois de teres posto os pontos nos is, depois de teres exclarecido as coisas para o teu lado saís-te. eu fiquei a olhar para ti, a ver o que as lágrimas permitiam. vi a tua sombra a descer as escadas do alpedre que tinhamos à frente da nossa casa, vi-a percorrer o caminho até à rua, ainda tendo tempo de parar e fazer uma festa ao cão que passava. vi, assim, a nossa vida deitada ao chão. a cada passo teu, eu via-me afundar num poço sem fundo. e nada previa, com a tua atitude inicial deste dia, que chegassemos à hora de almoço e isto acontecesse. de manhã disseras-me: 'como eu te amo'. deste-me um longo beijo e saís-te ficando ainda eu a sentir o teu sabor na minha boca. este parecia-me o dia perfeito.
passei a manhã a arrumar a casa, era o meu dia de folga. não tinhas dito que vinhas almoçar, mas fiz o almoço na mesma. só eu sei como és assim. e chegas-te com uma nuvem cinzenta em cima. senti-te a subir os degraus do alpendre e fui a correr abrir-te a porta.
nem um beijo me deste.
entras-te de rompante rasgando o meu sorriso, calcando o meu amor. eu rodei nos calcanhares e foi aí que começas-te. disseste-me que não era mulher para ti, que merecias melhor. que tinha sido bom enquanto tinha durado.
que eu não prestava.
eu fiquei petreficada a tentar reconhecer em ti o homem que tinha hoje visto de manhã e, sinceramente, não consegui. vinhas alterado, irado, não sei. sei que o meu amor não era a ti que queria dar, não contigo assim. depressa subis-te as escadas, com os pés pesados, e ouvi-te abrir gavetas e portas e ouvi-te descer outra vez. o que é que se passava aqui afinal? eu ainda nem sequer tinha tido coragem de fechar a porta na esperança de me virar e de tu ainda estares lá fora, de outra maneira que não fosse aquela em que me apareces-te aqui.
mas não.
tu, neste momento, estavas à minha frente. com uma mala, acho que te vais embora daqui de casa.
começas a disparar novamente mas eu nem sou capaz de absorver tamanha brutalidade. falas, berras desmanchas-me toda com esses tiros insensiveis. e eu não tenho reacção, eu não consigo. passas por mim que nem vento, ainda eu especada ao lado da porta aberta. arrastas a mala pelo chão por nós construido e por ti degradado, desces os degraus do nosso alpendre e continuas a arrastar a mala a trás de ti. reparo que a minha alma vai agarrada. e então lá páras para fazer a festa ao tal cão e, depois, continuas, bem feliz da tua vida.
e o almoço arrefeceu.
às vezes preciso de alguém para amar.

11.28.2009

sonho

como eu te quero inexplicavelmente, neste sonho que parece não ter fim. como eu te quero tão imensamente. como eu te odeio que nem posso mais! como te quero agarrar e separa-te de mim. como eu te quero comigo. ai! quão inexplicavel é o que eu quero. estamos os dois num sonho só meu e o que sinto é tão contraditório. amo-te. não, odeio-te. melhor, já não és nada.
por isso te peço, com toda a delicadeza:
sai dos meus sonhos.

às vezes faz-se cada promessa...

mas há sempre aquela esperança, não?

(i’ll allways be by your side)

uma coisa que, infeliz ou felizmente não é verdade

11.27.2009

no outro dia sonhei. que estavas aqui, ao meu lado. sonhei que havia o para sempre e que já não me eras nada. que tinha conseguido ignorar a tua presença. que tinha consguido aceitar-te ao meu lado como mera pessoa que és. sonhei que já não eras perfeito. que não eras como és. que não estava presa a ti. sonhei o que se passa na realidade, e o que não passa vai passar a fazer, tem que ser.
no fim, vais ser como um sonho em realidade, não?
OLHA FILHO, ESTOU CO'A GRIPI'Á!

11.26.2009

22.05.2008

tosse. febre.


hoje levantei-me e perguntei à minha mãe o que é que se faz quando se está doente.
a resposta não foi muito convincente.

11.25.2009


eu espero. espero o que espera e passo toda a vida a esperar para não me esquecer que espero sem parar.
tantos anos eu esperei por coisas que ainda não chegaram. tantos anos que passaram por mim esperando tambem. e tantos foram esses anos.
e, no entanto, a espera não esperou que eu parasse a minha espera, não. e lá foi a minha vida, com ela, com essa espera que não esperou. se olhar, ainda as vejo, lá longe. tão longe que elas vão! mas tenho que esperar. tenho que ficar a espera que voltem, mesmo sem ter a certeza que vão voltar, eu espero.
espera! espera aí! a minha vida ainda não passou de volta! espera! espera comigo!
mas tu não esperaste, foste, como que obedecendo ás leis da vida. como foste , tão rápido. depressa desapareceste daqui, do meu horizonte e foste para lá, lá para o alto desse teu pedestal. subiste-o, como o subiste!
e nem eu te demovi.
a vida é feita de ausencias. só quando nos falta alguma coisa é que damos conta que isso sempre cá esteve. e, se não for, será para que no dia a serguir vá com mais força, será para descansar.

11.24.2009


e onde fico eu, que sempre acreditei no que me dizias e prometias como nunca ninguem me prometeu nada?
eu que esntrava nos teus jogos, eu que te queria sempre e esperava que fosse dessa vez que fosse a ultima que tinhamos que nos separar. mas não, nunca foi a ultima. eu sei que tudo tem um fim, sei que sim mas pensava que nás quebravamos as regras, nós eramos diferentes. assim acreditava, ainda em criança, quando os nossos actos eram inocentes e quando ainda havia o 'para sempre'. agora não, sei que tudo acaba. agora sei que não ha infinito. que não há o 'para sempre' que houvera até à pouco.
todos os dias me perguntava se valia a pena acreditar no que dizias e sempre me disse que sim.
agora pergunto-me porque é que me convenci disso, quando sabia perfeitamente que, quando as coisas acontecem já não há volta a trás. o que foi, foi. nada mais que isso. uma vez acabado não se recomeça. quando muito começa-se uma coisa nova, diferente. (é sempre diferente.) e, apesar de no fundo, no fundo, saber que já não há nada, que não vai haver mais nada... eu espero sempre e tu nem sequer sonhas com isso.
deixei, então de acreditar. deixei de querer saber, de querer lembrar. de querer reviver o que nunca vivemos mas só fingimos. (quer dizer, fingis-te.) e pronto. a peça acabou e ambos seguimos o que a vida nos levou a seguir por este ou aquele caminho. sempre separados. o meu sonho acabou. o arco-iris dispersou e, afinal, o que estava no fim não era um pote de ouro, não, o que estava no fim eram desilusões e os planos dos jogos por ti jogados. eu era apenas o peão.
se tanto.

houve um dia em que o amor aqueceu aquela casa que sempre fora fria.
e, depois, quando o amor saiu, ficou a saudade colada nos vidros embaciados.
e secou. morreu.
pois, então, não vendo eu... como queres que saiba para onde ir? eu não sei, porque não vejo. não tenho referências de nada. o mundo não é nada para mim.
ainda.

olho, mas não vejo.
queres mostrar-me?

11.23.2009

tenho as mão frias. vazias.
um dia cresci dentro de mim e acomodei-me ao meu espaço. sem perceber que crescia de uma outra forma que não era aquela que queria ocupar. depressa deixei de ser pequenina. passei a ser o que sou agora. mas tanto que eu queria ter ficado naquele momento. naquele lá muito a trás.
queria as mãos cheias de novo, quentes. queria o dia dos presentes e daquela magia especial. do quentinho da lareira nas costas. queria os olhos brilhantes de novo. queria o colo da mãe e do pai, do mano.
queria o que era pequenino. queria fazer festas so por uma coisa de nada.
mas sei que o que eu tenho agora não podia ser se eu tivesse aquilo que tinha por isso não me importo. sei, agora, que quem está comigo está porque se preocupa mesmo.


obrigada andré martins.

11.21.2009


então porque ligas-te?
não seria, pois, preferivel não ouvir de tua existencia?
não seria, pois, melhor não saber de tua luz e de teu som?
não seria, então, tão melhor não ter vestigios de ti em meu redor?
que é feito de ti, que não ligas, que não apareces.
que é feito de mim que já não vejo, que já não ouço.
que é feito do teu rasto em mim que ja perdi.
não seria, entao, melhor ficarmos lado a lado?

11.20.2009

mundo

nao, o nosso mundo nao cabe aqui. falo por mim. o meu mundo é maior, um bem à parte deste.
o meu mundo é maior. maior que eu e que tu, maior que o mar. muito maior que isso. o meu mundo é do tamanho das minha ideias. é tão alto como os meus sonhos.
é grande, grande como um abraço ao infinito. (seja lá o que isso for.) é maior que o meu reflexo na agua. maior do que qualquer sentimento. é maior.
e cabe. cabe aqui, em mim, dentro de mim e só dentro de mim. apertado, mas cabe. cabe dentro dos meus bolsos, que levam de tudo. cabe dentro de uma lagrima que de tudo leva um pouco. cabe na minha musica e na tua. cabe no teu sempre silencio para comigo. cabe no escuro, quando me escondo debaixo dos lençois, quentinha.
o meu mundo deixa uma marca, pelo menos em mim e em ti. e tu? queres que o teu mundo caiba no meu?

11.15.2009


vulnerável.


é?

11.02.2009


já é noite! noite escura, tão escura como a noite.
as luzes acendem a sua fria luz que alumia as minhas palavras que deito ao vento. aqui, nesta cidade, eu vi, em tempos já passados, o teu nome escrito e, em sonhos inacabados, ainda teu nome grito.
o tempo passa e a noite escurece. escurece como a noite. e o tempo passa, como que ao meu lado, e eu fico parada a ve-lo um tanto ou pouco viciado.
o tempo passa, a noite escurece, que a minha chuva de memorias comece! ainda tao cedo que é e ja vao com tanta pressa! nem se lembram que tenho que esquecer. e aí, vêm. vêm todas elas: avalanches, torrentes, baldes, ondas, umas a trás das outras. e eu? que é feito de mim? eu que me afogue? eu que me deixe ir? naaaa eu quero é sorrir!
venham as lembranças! venham as memorias! mas venham, a seguir, as bonanças e as vitorias!

fim?
nem tudo tem que ter um fim tão proximo.