1.19.2010

gostava de ter histórias para contar, gostava de conseguir partilhar com os outros aquilo que se passa aqui dentro. gostava de escrever um livro e de tocar nas pessoas com as minhas palavras. gostava de saber fazer as coisas bem - não todas, mas só algumas, as que me importam mesmo mesmo. gostava de ser reconhecida por quem me rodeia. porque eu posso não ser a melhor pessoa que existe, mas eu tento ser melhor, a cada dia que passa. gostava que os meus pais dessem valor àquilo que eu faço e que não fossem os outros os únicos a ter talento. os filhos de todos os outros. gostava de mudar mas ficar na mesma para quem me é próximo. gostava que não me julgassem antes de me conhecerem. gostava que se orgulhassem de mim apenas pelo que sou. gostava que não estivessem constantemente a criticar-me e que o meu trabalho realmente vale-se de alguma coisa. gostava de saber tirar fotografias. gostava de saber ser artista. gostava de me sentir integrada. gostava de gostar de alguém. gostava de conseguir não fugir. gostava de conseguir destinguir o que me faz bem e o que me faz mal a curto e a longo praso. gostava de convencer. gostava de conseguir deixar-me levar com a corrente do mar.
gostava de tanta coisa mais.
gostava de ser os olhos e o mar.
os meus olhos e o mar.

(os olhos e o mar - manel, és um génio.)

1 comentário:

  1. desculpa mas a minha veia hoje para a poesia está meia maculada e macabra, mas, tu tens tantas histórias que contar. aposto que se quisesses, gastaríamos mais que uma tarde a falarmos dessa vida.
    Kina, digo-te o que disse ao mário, não tens que ser melhor que os outros, tens que ser melhor que ti mesma, os outros servem de termo de comparação. é tão bom crescer! para mim já és uma artista, basta leres o que escreves, és uma artista de ti mesmo, és a kina, nem que seja pelos teus cabelos, bela tua voz, belos teus fones, pela tua máquina, e muito mais do que a tua aparência - porque só conta para quem se interessa por isso -, os teus textos, os teus sonhos, a tua forma de ver o mundo, as tuas lágrimas, os teus sorrisos, os teus abraços, o valor que dás às pessoas que te abraçam. a integração és tu que a fazes, acredita. eu também gostava de convencer mas o engenho da eloquência não chega a todos, não aos que precisamos, muitas vezes, nem a nós próprios.
    Respira fundo. E, claro, é uma excelente metáfora, mas muito mais, além de seres os olhos e o mar, és os olhos que fitam o mar que és tu ao espelho, aprende a respeitar as tuas tormentas, marulhos e bonanças, e de vez em quando até os peixes podres.

    beijo.

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