2.17.2010

encontrar-me-ão numa nova paragem.
até já



2.14.2010

fim

hoje estou na minha nova paragem. já mudou tanta coisa desde quando aqui escrevi pela ultima vez. para além de tudo me estar a parecer um sonho, eu não quero que isto acabe nunca mais.
cheguei a muitas conclusões. muitas, muitas. uma delas foi que não gosto de começar as coisas porque tenho medo que elas acabem. outra foi que isso não tem lógica nenhuma, porque nós temos que viver aquilo que nos apetece, temos que ser felizes. cheguei, tambem, à conclusão que a pessoa que carregava a minha felicidade estava, afinal, mesmo ao pé de mim há tanto tempo que até parece impossivel. estes dias (e foram só 2) estão a ser ainda mais do que eu estava à espera. estão a ser maiores do que aquilo que me rodeia e maiores que muito daquilo que eu pensava vir a passar. o resto, já nada me importa.

quero, então, anunciar o fim do meu blog. será um começo de uma nova fase, como lhe costumam chamar. talvez comece, noutro sitio, uma coisa diferente, baseado num outro sentimento sem ser aquele que sempre trouxe até aqui. esta será, então, uma das últimas páginas desta minha primeira parte. o que começou por ser 'aqui me escrevo' acabará, assim, com um 'adeus querido, que me vou embora'. porque é mesmo assim, tudo tem um fim. e digo isto com um sorriso na cara.

até sempre.

2.12.2010

vou estar uns tempos por outras paragens, até breve.
desculpem lá a foto
hoje apercebi-me que passo o tempo a olhar o chão e tão poucas vezes observo o céu. hoje olhei para o céu. parei, até, para o ver. acho que ele merece. e, depois de todo um texto poético que lhe li, segui o meu caminho com uma visão diferente das coisas. passei, então, a olhá-lo, a cada passo que dava. descobri que a calçada é mais bonita quando a olhamos só com a parte de baixo dos olhos.
hoje entardeci com o céu.

2.10.2010

os barquinhos, lá foram, um tanto ou pouco perfilados pela ria fora, ao sabor do vento.
caia uma chuva que nem molhava nem deixava de molhar. e eu, mais o andré e o mário, três gatos pingados ao alto com os indefesos barquinhos de papel que lá iam indo, com o vento, com a maré.
junto com eles, com esses barquinhos, foram algumas coisas mais das quais não quero falar.
hoje, fechou-se uma porta.
amanhã, abrir-se-á outra.

2.08.2010

fiquei a olhar-te.
és feliz?
não me respondeste. esperei a resposta que nunca mais chegava.
és feliz?
peguntaste-me.
não quis entrar em jogos de 'quem perguntou primeiro fui eu' nem nada desse género. estava um dia de verão e tinhamos acabado de almoçar, deitámo-nos no sofá. abanaste-me.
então?
não sabia o que te dizer. a tua não resposta tinha-me uma volta ao estômago. o teu silêncio tinha sido como um murro no estômago.
dependendo das alturas. e tu, já me podes responder?
o teu silêncio manteve-se durante toda a tarde.
antes do pôr-do-sol arrumei a cozinha e os pratos sujos e saí. tu estavas deitado e, sinceramente, não me apetecia muito chamar-te para ires comigo. saí de casa. precisava de filtar ideias, de redefinir objectivos. precisava do mar por isso fui, como costumava ir, sozinha. muito me disse o mar, há tanto tempo que não estava com ele. fiz o que tinha a fazer. o sol começou a pôr-se. senti uma dor no coração, não te tinha ao meu lado. mas fiquei. o sol ia já a meio do seu afogamento nesse mar tão cheio te tudo. estava um lindo céu, mesmo lindo, como eu nunca mais tinha visto. e, quase no fim, taparam-me os olhos. beijaram-me.
sou feliz quando te tenho por perto.
levantei-me e comecei a andar em direcção ao mar que estava perto. ri-me num riso um tanto ou pouco seco. olhei para trás, vi a tua cara a sorrir-me. és tão lindo.
eu também sou feliz.

e esta é a parte onde acordo
és feliz?

2.07.2010

sim, gosto de ser emplastro.
e?

fome

2.05.2010

quando recuperei a consciência estavam mil pessoas à minha volta.
não me lembro bem do que se passou antes. não me lembro de nada. lembro-me que gostava de alguém que estava comigo antes de tudo ter acontecido. tive um flash. lembrei-me da tua cara. do teu nome que percorria todos os caminhos que eu fazia a pensar em ti. esses caminhos eram todos os que eu conhecia. por alguns segundos te vi na minha cabeça. estavas ali, tão real como se existisses mesmo ali, à minha frente. quase que te podia tocar, quase que sentia o teu cheiro e o teu calor. acordaram-me para o que estava a acontecer. via pessoas empoleiradas em cima de mim, quase que me viam por dentro. que medo. o meu corpo, que parecia andar aí a flutuar, abriu um espaço por entre essas cabeças tão curiosas. elevou-se ao céu e caiu-me em cima.
nunca nada me doeu tanto. tanto, tanto que me dóiem os braços, as pernas, os pés, a cabeça, as mãos. dói-me tudo. até a alma. chegou alguém que gritou: 'dêem espaço! dêem espaço!' que dor de cabeça, nunca nada me doeu tanto como agora.
olhei para o lado.
tinha-me enganado à pouco.
doía-me mais agora. estavas tu, quem eu vi e quase tive na minha cabeça. estavas tu deitado no chão, ali, sem mexer. estavas tu, deitado, sem sorriso, sem nada. sem reacção alguma.
dói-me muito mais agora. é o máximo que poderei alguma vez sentir. tu já não estavas lá, já não cheiravas a ti, já não me poderias acordar daquele pesadelo. estavam a tentar reanimar-te, e tu nada. nada de nada. o homem tentava perguntar-me alguma coisa. não consegui descodificar. comecei a chorar, mais do que alguma vez conseguira imaginar. queria levantar-me e não conseguia. queria lembrar-me e não conseguia. queria falar e não conseguia. eu só olhava para ti, ali deitado. que dor que sinto. que dor tão grande, tão maior que este céu que, curioso, tenta saber tmabém o que se passa. a dor de perder quem mais amas. e o macaco do homem continuava a tentar, com um dialecto para mim imperceptivel, perguntar alguma coisa. por fim, eu disse: 'ele, salvem-no a ele, por favor. ele.'
o homem parecia não perceber.
e tu, ainda ali, deitado.
espera. que alegria, que bom que já te mexeste! olhas-te para os lados, primeiro para mim, depois para o outro, depois para mim outra vez. sorriste para mim. as dores passaram. sorri-te também. ainda te gritei: ' amo-te.' mas tu pareces-te não ouvir. que se passa? estavas a chorar. que foi, que se passou? tentei falar, não consegui. já não sentia dores, já não sorria, já não ouvia nada. eu estava concentrada em ti, na razão da tua tristeza. e, depois, vi-te rastejar até mim. a tocar-me com as tuas mãos que nunca tinham estado tão quentes. senti-te a por a tua cara no meu peito. senti as tuas lágrimas a escorrerem pela minha camisola encharcada em sangue. não senti o acelarar do meu coração. não senti a cara a corar como sempre me acontecia. não consegui mexer o braço, que já não me doía, para te fazer uma festa nos cabelos, como sempre fiz, e não consegui dizer que ia ficar tudo bem. olhaste-me nos olhos, ainda abertos e humidos. eu quis dizer-te que te amo, mas a natureza não deixou. quis beijar-te, mas não tive forças.
olhaste-me uma última vez: 'amo-te', disseste-me.
e levaram-te de mim. o teu calor que já não consegui sentir. o teu cheiro que já não consegui cheirar. as tuas palavras que consegui ouvir, mas que não consegui retribuir. levaram-me a vida. deixaram-me ali, sob aquele céu tão azul durante um pouco. as pessoas dissiparam. trouxeram o temível saco preto e fecharam-me lá dentro. juntamente com a minha roupa ensanguentada, juntamente com tudo o que guardava nos bolsos, tudo o que tinha em mente, tudo o que tinha em mim.
morri, finalmente morri.

terei mais um começo, com meus dentes no chão.
quem conhce, sabe.

2.03.2010



gosto mais de ti do que sou capaz de mostrar, mário
obrigada
sim, ainda não me passa ao lado o teu nome, ainda não me habituei à ideia de que já não estás sempre a atormentar-me o espírito. a seu tempo.
tudo irá, a seu tempo.

2.02.2010

voltarás verão?
voltarás?
voltarão as tardes inconscientemente passadas a olhar o vazio, o sol, o mar, tudo. voltará tudo a seu tempo. voltará tudo o que foi bom, tudo o que relembro a cada dia, antes de descer ao mundo. antes de ter coragem, antes de me lembrar: 'hoje será menos um dia que falta'.
o verão é a força que trago dentro de mim. toda aquela alegria que me preenche e que tento passar.
que saudades, mar. que saudades, sol.
que saudades, mar, do teu barulho que me faz pensar que há algo maior que nós e maior que tudo, és o que me faz pensar que há em algo bom. sol, que saudades do tempo bom, em que brilhas até fartar e te pões sempre nesse mar, que é tão nosso, e nesse céu, sempre modificados por ti, rei dos meus dias. que saudades das cores vivas que me fazes ver a cada dia que passa.
que saudades que tenho tuas.
até já.

2.01.2010

no fim, tudo se irá resumir a uns poucos 10, 15, 20 segundos no máximo. poucas coisas vão ser relevantes quando os anos que faltarem para ires forem já poucos. e, no entanto, viveste tanta coisa e tão pouco te ficou, não te lembras de mais de metade das pessoas que por ti passaram durante esta mínima película de uma curta metragem de 10, 15 ou 20 segundos. e, nesse mínimo tempo, há coisas que valem a pena, e que sabes que vão mudar para melhor a vida da pessoa que ouvir o que tens a dizer. acontece que, se não tiveres alguém que esteve lá, por um pouco mais de tempo do que aquele momento que vais lembrar remotamente, vais esquecer pormenores inteiros que desfazem a história. pormenores que vão faltar quando quiseres contar tudo, certinho, a quem se seguir a ti, nesta película que construímos todos juntos. mas se não estiver lá ninguém, um tempo depois de ter acontecido, não foi , de todo, importante. deixa, na memória, espaço para te lembrares que estiveste aqui, comigo. não desperdices a vida a tentar não esquecer o que passaste antes.
faz com que esses 1o ou 20 segundos valham, de facto, alguma coisa.
vive.
vive sem o peso de teres que lembrar cada passo que deste em cada dia. lembra os passos de entrada, não todos. os de entrada feliz. os de saida feliz. lembra com nostalgia os momentos que achas que... bem, que não vais nunca esquecer. mas não deixes de os lembrar, nunca. daqui a uns anos, é a tua vez de deixar outros seguir com a película. é a vez de descansar.
cansa-te enquanto podes.
e, depois, revê as fotografias de quando eras pequeno. vais ver, há mais que 20 segundos na tua vida.
e, aí, basta-te morrer a sorrir.
alguém saberá que tudo terá valido a pena.

para verem que a estupidez começou em pequena. já tudo fazia prever o que seria hoje. mas, o detino estava enganado. parece que sou pior do que era de prever. algum dia passará, não?

1.30.2010

começa no inicio da testa. na parte de cima da testa. pousa o teu dedo indicador no meio da testa, no ínicio do cabelo, levemente. depois, deixa o dedo escorregar até à ponta do nariz, levanta um pouco o dedo e dá um toque na ponta do nariz.
é assim que se faz.

1.29.2010


os segredos são de quem os souber guardar.

1.28.2010


disseram-me, um dia, olha melhor para o teu reflexo.
olha, carolina, olha para ti, como estás assim, mesmo sem estar, num dia mau, onde tudo parece demasido colorido para te fazer tão feliz quanto isso que te rodeia. olha, como sorris no teu choro interno e continuo, nessa alegria triste da qual só consegues mostrar, feliz ou infelizmente, a parte da alegria.
olha-te aí, bem nos olhos. tira esses óculos, não vires as costas a ti própria: 'dá a ti mesma uma oportunidade.'
o mundo não assim tão cruel quanto faz parecer, acredita. há mais gente para além de ti, não sejas egoísta ao ponto de só te querer para ti.
olha-te nos olhos, que grande que estás, carolina. partilha o que tens que partilhar, este é o momento.
este é o momento.

1.27.2010

carreguei-te comigo o tempo que foi necessário para te tornares perfeito. carreguei-te dentro de mim, com muito apreço por ti. quando nasceste, trouxeste contigo a minha felicidade. e de pensar que nasceste de mim. como te amo, meu amor. como eu te quero sempre ao pé de mim, nos meus braços. como eu gosto de te ver dormir e, até quando choras de noite, me esboças um sorriso nesta minha cara desgrenhada de sono. não te podiam ter levado como levaram. não tinham esse direito de me arrancar a felicidade que brotara de mim, há tão pouco tempo. não. eu não podia crer. a dor de te perder, a dor perder quem eu mais amava. uma morte que me causaram. uma morte pessoal e intransmissivil. ninguem, jamais, sofrerá o que me fizeram. ninguém, jamais, saberá o que ainda me dói, passado tanto tempo. hoje, farias 10 anos, meu amor. e ainda ninguem te devolveu. levaram-te, a minha melhor coisa, e não te trouxeram de volta. foste, mas não vieste. a dor, essa desgraçada, veio. veio e não foi.
parabéns, meu amor.
amar-te-ei para sempre. sempre te carregarei comigo, sempre farás peso nos meus braços, como menino que te levaram, ainda em tão novo tempo. para sempre te terei cá dentro, enquanto eu preencher o meu corpo e mesmo depois disso, quando já não for o que sou hoje, quando for, quem sabe, uma estrela do céu, permanecerás em mim.
serás a minha luz.

1.26.2010


pus as mãos ao chão na esperança que a água nao escapasse dali. na esperança que tu não fosses embora, quando me visses ali, de mãos no chão do mundo que para nós contruímos. o que é certo é que viraste as costas. foste embora, passo a passo. mas eu, incrédula, pensando ainda que aquilo era minha ilusão, mantive-me ali, assim, a olhar para ti a afastares-te cada vez mais. os teus passos, dantes estabilizadores, puseram, assim, muito do que me rodeava por terra. puseram fim ao mundo que com a nossa força construímos. mas aquele pedaço de chão, outrora nosso, ficava cada vez mais meu. apenas meu. e eu continuava a olhar para ti, confiante a cada passo teu. e, quando ias já lá no fundo, quando quase já não te conseguia ver, eu abri os olhos. ainda ali estavas. e eu estava de pé diante de ti. tive que ouvir tudo de novo. tudo o que me disseras antes, na minha imaginação, voltaste a dizer, aqui, mesmo assim, quase de ânimo leve.
da mesma maneira pus as mãos no chão. da mesma maneira agistaste tudo com cada passo teu. da mesma maneira te vi a afastares-te. e quando ias já lá ao fundo, quando eu quase não te via, quando estavas tão pequeno na tua tamanha grandeza, tão pequeno quanto uma da pedrinhas que já magoava as minhas mãos cansadas, eu levantei-me. e não parava de me levantar. eu levantei-me decidida. virei-me para o lado que te via caminhar e, antes de dar o primeiro passo, olhei mais uma vez em frente. tu já não ias sozinho. já tinhas alguém a acompanhar-te. alguem igualmente pequeno na sua grandeza.
e pensei.
deixar-te-ei ir. em paz.
olhaste para trás pela primeira vez e eu estendi-te o braço em tom de agradecimento enquanto as lágrimas me escorriam, seguidas, umas a trás das outras. o mesmo gesto fizeste, não sei se a chorar ou não, mas retribuiste. observei-te, mais um pouco. mais uma deixaste para trás. mais uma vez continuaste, sozinho, seguro de quem eras, seguro do que eras. rodei nos calcanhares.

agora é a minha vez.