2.01.2010

no fim, tudo se irá resumir a uns poucos 10, 15, 20 segundos no máximo. poucas coisas vão ser relevantes quando os anos que faltarem para ires forem já poucos. e, no entanto, viveste tanta coisa e tão pouco te ficou, não te lembras de mais de metade das pessoas que por ti passaram durante esta mínima película de uma curta metragem de 10, 15 ou 20 segundos. e, nesse mínimo tempo, há coisas que valem a pena, e que sabes que vão mudar para melhor a vida da pessoa que ouvir o que tens a dizer. acontece que, se não tiveres alguém que esteve lá, por um pouco mais de tempo do que aquele momento que vais lembrar remotamente, vais esquecer pormenores inteiros que desfazem a história. pormenores que vão faltar quando quiseres contar tudo, certinho, a quem se seguir a ti, nesta película que construímos todos juntos. mas se não estiver lá ninguém, um tempo depois de ter acontecido, não foi , de todo, importante. deixa, na memória, espaço para te lembrares que estiveste aqui, comigo. não desperdices a vida a tentar não esquecer o que passaste antes.
faz com que esses 1o ou 20 segundos valham, de facto, alguma coisa.
vive.
vive sem o peso de teres que lembrar cada passo que deste em cada dia. lembra os passos de entrada, não todos. os de entrada feliz. os de saida feliz. lembra com nostalgia os momentos que achas que... bem, que não vais nunca esquecer. mas não deixes de os lembrar, nunca. daqui a uns anos, é a tua vez de deixar outros seguir com a película. é a vez de descansar.
cansa-te enquanto podes.
e, depois, revê as fotografias de quando eras pequeno. vais ver, há mais que 20 segundos na tua vida.
e, aí, basta-te morrer a sorrir.
alguém saberá que tudo terá valido a pena.