Choveu aqui. Aqui nesta praça. Nesta praça onde me encontro. Onde o meu guarda-chuva de pouco me valeu. E onde agora. Onde agora só eu estou molhada. Agora. As pedras já secas. As pedras da calçada já secas. As pedras desta calçada. Da calçada que é isto. Isto. Onde já nada me vale. Onde já nada me vale porque me faltas tu. Faltas tu aqui. Aqui ao meu lado. Faltas tu, meu amor. Faltas tu e mais ninguem. Faltas tu como mais ninguém. Porque tu. Tu és eu. E eu sou tu. Como nunca fui. Como nunca consegui ser mais ninguém. Anseio as tuas respostas. Os teus silêncios. Mas. Mas não chega nada. Nunca chega nada. Nada de nada. Nada de tudo. E eu continuo à espera. Espero e nada. Depois vens com umas palavras tontas e tortas. Bêbadas desta minha dificuldade. Da minha dificuldade em decifrar o tom que traz a tua voz quando vem a mim. Não sei saber o que queres afinal. O que qeres de mim. Neste amor que agora é só meu. Neste amor que já não sei se é teu tambem. E espero que não. Assim é mais fácil. Tudo mais fácil.
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