4.23.2009

acorda, meu amor.

sol, lua
estrelas que ficam na sua
na sua própria luz
no céu
nesse céu tão escuro
onde já nada acontece
nem mesmo eu
que já nada sou
e no entanto
já nem nada importa
e eu tenho medo
tenho medo do que possa acontecer neste escuro
neste escuro tão inseguro
neste escuro do meu não ser
onde pensei que pudesses ser a luz
a luz que me ajudasse a ver
a distinguir quem realmente sou.

Errar é humano mas
como eras a luz
nunca pensei que errasses
e no entanto
errei eu
cheguei a conclusão que era também como tu,
meu amor
e eu que pensava ser como mais nada
como mais ninguém.

Errámos os dois
e no entanto
não te apercebeste
não percebeste que não era isso que querias
e eu não fui capaz de explicar
não fui capaz de te fazer entender
o que estava errado
o erro que cometeste
o erro onde eu também fui cúmplice,
meu amor
o erro de onde eu quero sair mas
tu não deixas
e fazíanos tão bem,
meu amor
tão bem que nos fazia
mas tu teimas
- como sempre -
em não ouvir
e eu não percebo porquê
não queres ver o erro que eu vejo
o erro em que eu quero acreditar
tu não o vês
não me vês a mim,
meu amor
porque o erro aqui
o erro aqui sou só eu
mas tu não vês
nunca viste
fechas-te sempre os olhos.

Acorda,
meu amor.
Acorda,
por favor.

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